RESENHA

Esbaforindo
Sim, aquela voz ainda existe e continua tão marcante quanto era há quase quatro décadas. Sim, Próspero Albanese continua não apenas cantando maravilhosamente bem para um autêntico cantor de rock, mas também exalando uma vitalidade que 95% da molecada hoje em dia não consegue nem se tomar vários galões de energéticos por dia.
E Esbaforindo Rock n’ Roll… é um disco totalmente rock and roll. Seja explicitamente setentista em ótimas canções como “Ahippyando”, “Está Chegando o Apagão”, “Rocker Rita”, “Fora da Lei”, na quase ‘blacksabbathiana’ “Cólica Renal”, “My Dear Sampa” e “Xeque Mate”, seja pelo indefectível acento pop dos Kinks na certeira homenagem em “Meu Velho Pai”, nas doces melodias de “Adagas de Luz” ou na forte influência dos Beatles em “Praça do Pôr do Sol” e “O Jogo do Amor”, a atmosfera musical que Próspero e seu bem vindo parceiro musical, guitarrista e multiinstrumentista Guto Marialva buscaram criar remete a um tempo em que rock era muito mais que um motivo para se criar uma propaganda de produtos. Isto também fica claro na união entre a cítara elétrica, as platinelas e as harmonias/melodias ‘estradeiras’ que resultam na surpreendente “Eu é Quem Não Fui”.
 
Mesmo ao lado da indefectível alegria brejeira de “E o Sonho?” e, principalmente, da tristeza embutida em “Lágrimas”, Próspero traz uma carga emocional tão grande às suas interpretações que só um verdadeiro roqueiro seria capaz de exibir sem pudores.

Que belo disco! 
Regis Tadeu

(Colunista e apresentador do Yahoo, atualmente no júri do Programa Raul Gil, produtor e apresentador da Radio USP, nos programas Rock Brazuca e Agente 93, escreve para o Blog Big Papa Records, foi Diretor de Redação e Editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera e Teclado&Piano, crítico musical do programa Superpop, baterista e dentista).